Domingo, 12 de Julho de 2009

anjos & demônios: ron howard relax

Após o ótimo Frost/Nixon, eu sabia que não podia esperar com tamanhas expectativas Anjos & Demônios, a "continuação" de Código Da Vinci, conduzido por um dos mais superestimados diretores da atualidade, Ron Howard. Quando os créditos apareceram, fiquei aliviado. O que eu tinha visto era um bom suspense, muito superior ao seu antecessor e que, por incrível que pareça, me divertiu demais.

A premissa é desenhada pela simbologia de Lungdun e tudo o que já vimos em Código Da Vinci, com ele interpretando os códigos por trás de algo relacionado com a Igreja e tudo o mais. Mas diferente do outro, este aqui se firma como um thriller, com um ritmo mais apropriado pra trama religiosa-científica. No meio do caminho, coloque alguns exageros e alguns clichês do gênero. Ainda assim, o resultado sai positivo e Tom Hanks continua apático.

Na realidade, o único do elenco que realmente tem uma atuação de maior destaque é Ewan McGregor. Em cada cena, o ator está prestes a explodir, combinando ao mesmo tempo uma sensibilidade e paciência, McGregor consegue ter uma atuação digna de aplausos. Não dá pra reclamar de Anjos & Demônios, é uma sessão relax de Howard. Frost/Nixon exigiu demais do diretor. Que ele volte da próxima vez trazendo um projeto a altura e, de vez em quando, um divertido suspense só para o diretor nos lembrar o quanto ele tem que aprender ainda.

Anjos & Demônios
Angels & Demons, 2009
Direção: Ron Howard. Roteiro Adaptado: David Koepp e Akiva Goldsman. Elenco: Tom Hanks, Ewan McGregor, Ayelet Zurer, Stellan Skargard, Pierfrancesco Favino e Nikolaj Lie Kaas.

Terça-feira, 7 de Julho de 2009

watchmen - o filme

Watchmen é uma das histórias em quadrinhos mais criativas de todos os tempos, ao meu ver. É a perfeita sincronia entre a fantasia com a realidade, criando uma história atemporal, que desperta a vontade de ler um volume após o outro. Infelizmente, o impacto gigantesco que Watchmen tinha como um livro é diminuido como um filme.

Iniciando de maneira espetacular com a morte do Comediante e os fantásticos créditos iniciais ao som de The Times They Are-A Changin', o diretor Zack Snyder optou por um visual totalmente realista. Sem aquele visual de 300 ou aquele visual dark da nova franquia de Batman. Uma cidade comum repleto de super-heróis e vilões. A diferença é que agora está todo mundo sem máscara, tentando viver uma vida normal ao meio de tanta bagunça. No elenco, há apenas um que se destaca sobre os demais, é Jackie Earle Haley como Roschach. Haley dá toda a complexidade para o personagem que passa a maioria do tempo mascarado - comparo a atuação com a de Hugo Weving em V de Vingança. De resto, Billy Crudup suaviza com Dr. Manhattan e Jeffrey Dean Morgan compõe o seu Comediante como uma homem triste que se refugia com suas piadas para não chorar pela sua vida.

O maior problema de Watchmen talvez seja mesmo a decaída no segundo ato em questão de ritmo. E o final fica um pouco arrastado, infelizmente. Porém, nada disso minimiza os méritos do diretor Zack Snyder. Condensar doze volumes de uma história em quadrinhos não é e nem nunca vai ser uma tarefa fácil, só isso já é admirável no ponto de vista narrativo. É um filme que merece ser descoberto.

Watchmen - O Filme
Watchmen, 2009
Direção: Zack Snyder. Roteiro Adaptado: Alex Tse e David Hayter. Elenco: Patrick Wilson, Malin Akerman, Billy Crudup, Jackie Earle Haley, Matthew Goode, Jeffrey Dean Morgan, Carla Gugino, Matt Frewer, Stephen McHattie, Laura Mennell, Rob LaBelle e Robert Wisden.

Domingo, 5 de Julho de 2009

trailer: onde vivem os monstros

Simplesmente o melhor trailer que veio este ano:



Onde Vivem os Monstros estreia dia 16 de outubro nos Estados Unidos e no Brasil, conforme a Warner Bros., podendo ser a data alterada pela distribuidora. O longa é dirigido por Spike Jonze, sumido no cinema desde Adaptação e indicado ao Oscar por Quero Ser John Malkovich.

***

O blog ganhou um selo do Plano-Sequência, agradeço dese já pela lembrança. É o primeiro selo em muito, mas muito tempo. Bom, como sempre as regras e a imagem vão primeiro:



1. Exibir a imagem do Blog de Ouro.
2. Postar o link do blog que te indicou.
3. Indicar 4 blogs de sua preferência.
4. Avisar seus indicados.
5. Publicar as regras.
6. Conferir se os blogs indicados repassaram os selos e as regras.


4 indicados (tentei ver mais ou menos quem recebeu ou não o selo nos últimos dias):

Cinestesia (http://cinestesiabh.blogspot.com)
Crônicas Cinéfilas (http://www.novascronicas.blogspot.com)
Filme-Pipoca (http://filme-pipoca.blogspot.com)
Moviola Digital (http://movioladigital.blogspot.com)

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

+ filmes

O Casamento de Rachel, de Jonathan Demme
Recentemente, assisti Festa de Família, de Thomas Vinterbeg. O filme é o marco do movimento Dogma 95 e a história, perturbadora. O que me remete a este Casamento de Rachel. Não é o fato de os dois usarem as câmeras nervosas - que estão cada vez mais fora de moda - mas sim pela união familiar e os problemas que começam a surgir neste reencontro. Linkar estes dois filmes me parece a melhor maneira de explicar O Casamento de Rachel. A diferença é que, ao invés de destruir um ambiente familiar aos poucos, o filme dirigido pelo esperto Jonathan Demme quer construir uma família desustrurada. E é curioso ver a relação entre as duas produções: ambos filmam com elegância, demonstram total domínio sobre o elenco e ainda captam todos os sentimentos dos membros de famílias decadentes. Porém, mais do que isso, Anne Hathaway faz toda a diferença. É ela quem domina o tempo todo na tela, construindo uma personagem triste, arrependida e infeliz, presa em seu mundo de erros. O Casamento de Rachel é, sem dúvidas, uma das grandes revelações deste médio ano de 2009.

Presságio, de Alex Proyas
Inexplicavelmente, Nicolas Cage só tem entrado em furada. Suas últimas participações não são nada significativas e fazia tempo que não conseguia carregar um filme nas costas. Talvez por isso este Presságio signifique tanto para ele - ou nem muito, já que a produção teve bastante críticas negativas a seu favor. Para mim, Nicolas Cage conseguiu reverter, mesmo que de leve, a sua péssima situação no cinema. Em primeiro lugar que ele tem uma boa atuação por aqui, carregando o filme nas costas, já que a boa Rose Byrne (e ótima em Damages) é prejudicada pelo roteiro. Para a surpresa, um bom filme de ficção científica. Mas se tivessem cortado ali algumas cenas bobas de suspense e diversos outros clichês dispensáveis, o filme de Alex Proyas daria um belo exemplar do gênero. Por enquanto, basta dizer que é tudo o que O Dia Em Que a Terra Parou queria ser.

Valsa com Bashir, de Ari Folman
Elogiado por diversos críticos no mundo todo, Valsa com Bashir concorreu ao Oscar, sendo um respeitado concorrente a estatueta dourada e fez platéias se surpreenderem com imagens polêmicas e fortíssimas. Ao meu ver, o sucesso só apareceu por se tratar de uma animação feita especialmente para o púlico adulto. O estilo documental do longa é o que mais o atrapalha, transitando entre o elegante e a chatice, passando pelo roteiro mal organizado. De início realmente parece um bom plano, iniciar com um sonho do soldado e apartir disso, tentar estabelecer uma narrativa recheado de flashbacks e construindo todo o massacre contra palestinos refugiados pela milícia libanesa - apoiado por Israel. No entanto, esta estrutura só atrapalha ao invés de ajudar, fazendo com que o diretor Ari Folman tente nos conquistar com imagens bonitas e planos inteligentes. No que diz respeito a essa técnica, Folman conseguiu uma aliada: a animação.

Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

transformers - a vingança dos derrotados

E Michael Bay disse: "foda-se todo mundo". E fez Tranformers - A Vingança dos Derrotados. Se no anterior o diretor tentava equilibrar um pouco a história com a ação, dosando o humor com a seriedade - vejam bem, eu usei a palavra "tentando"; neste ele literalmente não está nem aí pra nada. Recheado de sub-tramas bobas e sem-graças, a história gira de Fallen, um robôsinho revoltado porque há muito tempo foi traído por sua família, só porque ele queria dominar o mundo e tudo o mais. Então, o vilão volta com essa ideia mais uma vez, mas tem que tomar cuidado com Optimus Prime, o único capaz de derrotá-lo. Nessas idas e vindas, Optimus é morto, Sam é posto no meio da guerra e tem muita, mas muita correria. Tem explosão a cada cinco minutos. Tem o dobro de robôs visto no primeiro filme - até torradeira elétrica que se transforma em um Decepticon.

Sim. Michael Bay resolveu explodir tudo nesta continuação. Minha teoria é que o diretor visitou todos os fóruns da internet e foi a fundo: o que será que os fãs do primeiro filme gostariam de ver nesta continuação? Mais explosões? Mais Megan Fox com shortinhos curtos e decotada - tá bom, isso não há nada para reclamar... Enfim, o fato é que Bay pouco liga para a história, transformando este Transformers (trocadilho!) em uma mega-produção que apresenta 2 horas e 30 minutos resumindo-se em explosões, carros, robôs e mulheres.

O motivo pelo qual ele não é tão ruim quando parece? É que em nenhum momento o levamos a sério. As cenas de ação são exaustivas - mesmo com os arrasadores efeitos visuais -, a história é muito fraca - se tiver uma... e a Megan Fox , apesar de linda, não sabe nada de atuação, aém de Shia LeBeouf só grita o tempo todo. E Michael Bay... Bom, é Michael Bay! O cara que incui alguns planos em câmera lenta para acentuar o heroísmo de seus personagens, o cara que fica fazendo travelling até mesmo em um simples diálogo. Com um diretor como Bay, só resta apreciar a diversão em algumas cenas e dizer: "foda-se todo mundo". Pena que quando pisamos fora do cinema, entramos na realidade e os defeitos do filme começam a aparecer interminavelmente.

Transformers - A Vingança dos Derrotados
Transformers: Revenge of the Fallen, 2009
Direção: Michael Bay. Roteiro Adaptado: Ehren Kruger, Roberto Orci e Alex Kurtzman. Elenco: Shia LeBeouf, Megan Fox, Josh Duhamel, John Turturro, Isabel Lucas, Tyrese Gibson, Matthew Marsdan, Glenn Morshower, Ramon Rodriguez, Kevin Dunn, Julie White e Rainn Wilson. Com as vozes de: Hugo Weaving, John Turturro, Frank Welker, Peter Cullen, Mark Ryan, Darius McCray, Reno Wilson, Robert Foxworth, Jess Harnell e Mike Patton.

Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

tinha que ser você: quando os atores salvam a fita

Tinha Que Ser Você é um daqueles românticos filmes que não cansam aos nossos olhos. Talvez a lembrança com Antes do Amanhecer/ Pôr-do-sol venha a nossas mentes, tal que ambos partem da premissa de dois estranhos se conhecendo por pouco tempo em um território estrangeiro para pelo menos um deles. Não importa qual a referência, Tinha Que Ser Você abraça essa premissa com uma pequena singularidade: não são dois jovens agora. É muito mais do que isso. São duas pessoas que vêem agora sua vida inteira passando por seus olhos, onde mágoas e arrependimentos crescem cada dia mais.

Harvey, interpretado por uma melancolia bem construída por Hoffman, é um homem triste e solitário. Quando viaja para a Inglaterra com o objetivo de assistir ao casamento da filha, descobre que não a levará mais ao altar, pois foi substituído pelo padrasto. Perdeu o vôo e, conseqüentemente, o emprego. Conhece Kate em um restaurante, personagem de Emma Thompson, que vem cheia de energia, mas repleta de tristeza e solidão. A química rola entre os atores desde a primeira entrada em cena, quando ele rejeita responder as perguntas de Kate.

Acaba que o longa fica sobrecarregado nas costas dos ótimos atores, que não parecem se importar e levam o filme adiante. O diretor Joel Hopkins infelizmente falha no cargo, principalmente no que se refere a incluir uma sub-trama da mãe da Kate - ele também é autor do roteiro. São cenas que não acrescentam nada, além de quebrar o ritmo do longa. Porém, ainda bem que Dustin Hoffman e Emma Thompson estão lá, perfeitos o tempo todo.

Tinha Que Ser Você
Last Chance Harvey, 2008
Direção e Roteiro Original: Joel Hopkins. Elenco: Dustin Hoffman, Emma Thompson, Eileen Atkins, Kathy Baker, Liane Balaban, James Brolin, Richard Schiff e Bronagh Gallager.

Sábado, 20 de Junho de 2009

foi apenas um sonho: a maturidade

É fácil saber o motivo pelo qual a Academia e mais quase todos esnobaram este filme. Além de a temática ser praticamente a mesma que o Beleza Americana, projeto vencedor do diretor, apresenta diálogos realistas, fortes e incômodos o tempo todo, batendo na tecla da infelicidade conjugal, que praticamente é explorado pelo cinemão norte-americano todo o tempo. Dito isso, deve-se ainda contar com a publicidade do reencontro entre Jack e Rose Dawson.. ou melhor, Leonardo DiCaprio e Kate Winslet. Ao contrário de todos, eu achei uma produção que atinge o nível de maturidade dos envolvidos, tanto atores quanto o próprio diretor.

Desde a cena inicial em que os Wheeler dançam pela primeira vez, fica claro o objetivo de Sam Mendes. Ao passo em que ali um relacionamento começa a se desenvolver, há também o início da sua própria destruição pessoal. Derperdiçar os sonhos, carreiras, em prol da união familiar. É essa tecla que o longa pretende bater nas suas quase duas horas de projeção. Claro que Sam Mendes nem sempre acerta, tanto que o roteiro apresenta personagens em algumas sub-tramas dispensáveis, mas nem por isso desperdiçadas. Sempre há algo por trás.

Não há como negar que o forte do filme realmente seja as atuações. Separadamente, Winslet entrega-nos uma performance marcante, de uma mulher insegura e pobre de espírito, onde seus sonhos já se foram há muito tempo. Muito supeior do que sua atuação em O Leitor, aqui a atriz construi uma April singular, se aproximando muito de sua atuação em Pecados Íntimos. DiCaprio, um ator que vem crescendo cada vez mais, tem uma performance igualmente grandiosa por aqui. Juntos, a química que vimos em Titanic se torna mais forte. As discussões, feitas com fortes diálogos, passam a ser o ponto alto do longa. E todos os medos, as duvidas, tudo se assemelha com a realidade dos casais de hoje em dia.

Talvez por isso a participação de Michael Shannon seja tão incômoda. Ao interpretar um homem com sérios distúrbios mentais - por assim dizer -, Shannon faz com que o seu John Givings em três cenas surja como uma espécie de consciência, revelando-se o único personagem dali que vive na realidade. Seu personagem perturba, choca e surpreende a todo o momento. Como este homem que mal conhece o casal os entende tão bem, enlouquece cada vez mais um Frank tentando colocar os pés na realidade. E se o personagem de Shannon não existisse, Foi Apenas um Sonho talvez não tivesse o sentido. Era preciso de alguém como John Givings ali.

O filme não apenas representa o nível de maturidade que a direção de Sam Mendes chegou, como também o crescimento de Winslet e DiCaprio. Desde a estréia dos dois em Titanic, cada um seguiu seu caminho lentamente, se destacando e marcando produções tão diversificadas entre si. Quando chegou a hora, ambos culminaram em um perturbador e impactante filme sobre relações. Talvez eles se encontrem daqui a alguns anos, ainda melhores que da última vez. E quando isto chegar, tenho certeza que eu vou comprar o ingresso pra assistir.

Foi Apenas um Sonho
Revolutionary Road, 2008
Direção: Sam Mendes. Roteiro Adaptado: Justin Haythe. Elenco: Leonardo DiCaprio, Kate Winslet, Kathy Bates, Michael Shannon, David Harbour, Richard Easton, Kathryn Hahn, Dylan Baker, Jay O. Sanders e Zoe Kazan.

Quinta-feira, 11 de Junho de 2009

90's: antes do amanhecer


Antes do Amanhecer é talvez a obra mais romântica dos últimos tempos. É o encontro perfeito entre os atores com o texto, suavizados na direção de Richard Linklater. Obviamente, o encontro de dois estranhos em um trem e a rapidez com que o rapaz convence a garota de ir ao vagão-restaurante pode parecer um pouco fora da realidade, mas é então que Linklater muda totalmente o nosso ponta de vista.

A maneira como a dinâmica entre Hawke e Delpy se desenvolve, a partir dos ótimos diálogos escritos por Linklater, se revela a força-motriz de todo o longa. Não estamos presenciando aqui um romance qualquer, é diferente, é algo a mais. O casal não são dois atores no meio de uma cena, são Jesse e Celine, respectivamente, se encantando um com o outro. Olhos nos olhos. Algo que os jovens de hoje em dia esqueceram de usar, já que ficam enfornados nos seus quartos usando um computador. Não é assim que se conhece alguém, é vendo a sua reação a cada fala, é se encantando com a outra, é simplesmente um abraço ou um sorriso. Talvez por isso é tão fácil se identificar com estes dois, pois todos já vivemos um amor que começou assim, de algo que impressionava a outra pessoa.

Assistir Antes do Amanhecer sozinho em um quarto, pode ser deprimente. Mas também é uma experiência maravilhosa. Quantas vezes já sentamos em um ônibus, olhamos para uma pessoa e nos perguntamos: "uau, aquela pessoa pode ser a certa pra mim!". E quantas vezes a gente já olhou alguém que namoramos e pensamos "uau, aquela pessoa pode ser a certa para mim!". E quantas vezes já nos decepcionamos? Jesse e Celine nao estavam procurando por alguém naquela tarde, são apenas duas pessoas perdidas encontrando em um o que faltava no outro. Um amor simples, bonito e sincero.

É tão bom que um filme possa transmitir vários sentimentos assim para um ser-humano. Não dá pra evitar aquele sorrisinho no rosto após acabar o filme - mesmo depois de eu saber o destino dos personagens ese encantar também com Antes do Pôr-do-Sol. E Julie Delpy é linda, sem ser forçada, enquanto Ethan Hawke passa longe de ser um galã. Assim, fica tudo mais honesto.

Antes do Amanhecer
Before Sunrise, 1995
Direção: Richard Linklater. Roteiro Original: Richard Linklater e Kim Krizan. Elenco: Ethan Hawke, Julie Delpy, Andrea Eckert, Hanno Pöschl, Karl Bruckshwaiger, Tex Rubinowitz, Dominic Castell, Haymon Maria Burtinger e Harold Waiglein.

Quarta-feira, 10 de Junho de 2009

o exterminador do futuro: a salvação

Depois de seis anos desde o terceiro Extarminador, a franquia parecia ter finalmente guinado. Reformulação total: veriamos a tão sonhada guerra entre homens e máquinas, prometendo ao público uma história tão complexa quanto os dois primeiros. Chamou-se McG, o homem responsável por As Panteras e As Panteras: Detonando. Um homem que, apesar de seus longas anteriores, se garantiu à frente de um dos projetos mais aguardados do ano. No entanto, ao assistir Exterminador: A Salvação, penso que James Cameron deve ter se retorcido nos sets de filmagem de Avatar. Mas, tranquilizando-nos, este longa não acrescenta nada pra franquia - portanto, não estraga ainda o argumento construído por Cameron.

E isso adianta? Depois de duas horas explodindo carros, exterminadores, pessoas, transformer... ops, máquinas gigantes e barulhos, o que este novo filme tem para apresentar ao espectador? Nada, absolutamente nada. O tal reboot mencionado por todos não é nada mais que um filme dirigido por Michael Bay. Ou seja, não espere muito daquela história complexa e inteligente dos dois primeiros, muito menos vá esperando algo sério. Os diálogos e as situações são igualmente rasos e clichês, salvo por poucos atores. Anton Yetchin interpreta com perfeição Kyle Reese, se igualando ao seu antecessor, Michael Biehl - tem que dar um crédito pro cara; já Sam Worthington - atual parceiro de Cameron em Avatar - faz uma boa performance, principalmente no início. Já Christian Bale interpreta um John Connor péssimo. Além de usar sua voz habitual do homem-morcego (será que ele não consegue mais usar a outra?) ele não parece um líder, em nenhum minuto da projeção.

Com um roteiro o suficientemente raso, sem frases de efeitos e sem uma história propriamente dita, este Exterminador: A Salvação é realmente um reboot da franquia. O que é uma pena, pois ele se aproxima mais de Transformers do que seus antecessores. Mas devo admitir, a música do Exterminador até agora está nos meus ouvidos.

O Exterminador do Futuro: A Salvação
Terminator Salvation, 2009
Direção: McG. Roteiro Adaptado: John D. Brancasto e Michael Ferris. Elenco: Christian Bale, Sam Worthington, Bryce Dallas Howard, Anton Yeltchin, Moon Bloodgood, Jadagrace, Helena Bonham Carter, Common e Jane Alexander.

Sábado, 6 de Junho de 2009

uma noite no museu 2

O sucesso do primeiro Uma Noite no Museu é justificável. O longa é simpático, cm uma histórinha deliciosa tanto para adultos quanto para crianças, contando cm um elenco de comediantes que se entregam a seus pequenos papéis. Talvez por ter muita cara daquelas produções dos anos 80/90, meio sessão da tarde. É inegável que o longa tivesse uma continuação ou, quem sabe, uma franquia. Porém, esta seqüência decepciona um pouco.

Primeiro, porque a história é tão mal contada que tem momentos embaraçosos. O fato de também não dar o destaque o suficiente para os coadjuvantes é um dos pontos negativos desta aventura. Amy Adams e Ben Stiller funcionam, no piloto automatico, mas funcionam e agradam. Os anjinhos "Jonas Brothers" não são tão insuportáveis quanto a banda; Owen Wilson é prejudicado pelo seu personagem não fazer muita parte da aventura; por fim, os efeitos visuais ainda são muito bons, claro.

Uma Noite no Museu 2 tem seus momentos, mas não há como negar a sua fraqueza como um todo. O que convém perguntar: o que aconteceu com todos os guardas do museu já que é um dos maiores do mundo? Ninguém viu o que aconteceu naquela noite?

Uma Noite no Museu 2
Nith at the Museum: Battle of the Smithsonian, 2009
Direção: Shawn Levy. Roteiro Adaptado: Robert Ben Garant e Thomas Lennon. Elenco: Ben Stiller, Amy Adams, Owen Wilson, Robbin Williams, Hank Azaria, Christopher Guest, Alain Chabat, Steve Coogan, Ricky Gervais, Bill Hader, Patrick Gallagher e com a voz de Eugene Levy.

Quarta-feira, 3 de Junho de 2009

atrasos

Milk - A Voz da Igualdade, de Gus Van Sant
Gus Van Sant é um dos poucos dietores que tem coragem de enfrentar Hollywood. Ao lado de Ang Lee, Sant reúne um elenco estelar para contar um drama sobre homossexualismo, preconceito e ainda por cima, político. Sean Penn com uma excelente performance, rica na construção de seu personagem, abre espaço também para um ótimo James Franco e um cada vez melhor Emile Hirsch. Outro grande destaque é para o ótimo roteiro de Dustin Lance Black, que desvia a atenção de um thriller político para um drama tão, mas tão forte emocionalmente, que a única decepção diz respeito ao seu ato final - que não consegue emocionar o suficiente. Ainda assim, Milk é, sem dúvidas, um dos melhores filmes desse primeiro semestre de 2009.

Simplesmente Feliz, de Mike Leigh
Simplesmente Feliz é uma produção simpática, não passa disso. Leigh não parece preocupado em criar uma história propriamente dita, preferindo mostrar-nos que a personagem de Sally Hawkins é uma pessoa que está sempre feliz, não importa o quanto a situação está feia e que ela é uma soldado contra o mundo de hoje em dia. Apenas isso. O que parefe limitao para Leigh, é o suficiente para que Hawkins nos entregue uma ótima performance, digna de prêmios - e é uma pena que a sua indicação ao Oscar foi esnobada.

The Spirit - O Filme, de Frank Miller
Eu realmente pensei em não escrever nada da produção, mas enfim, vou falar: é insultante a maneira como Spirit foi feito. Querendo passar a mesma complexidade que envolvia Sin City, misturando algumas cenas de humor insuportáveis, este Spirit deveria levar o diretor Frank Miller à seguinte pergunta: "será que devo parar com o cinema e continuar a escrever, que é algo que eu sei fazer?". Aí, quando ele finalmente achar a resposta, deveria se desculpar por insultar um personagem legal dos quadrinhos - eu me divirto lendo os quadrinhos de Spirit, e eles nem são uma maravilha como Sin City. No entanto, temos que dar créditos para o elenco feminino, mais precisamente para a linda Eva Mendes, que prende a atenção toda. Fora isso, uma Johansson sem saber o que fazer e uma Sarah Paulson fazendo o possível com sua personagem ultra-clichê - porém a outra única coisa boa do filme.

O Visitante, de Thomas McCarthy
Richard Jenkins merecia há tempos o seu espaço. Apesar de sua ótima participação em Six Feet Under (que série boa!), o ator ainda agia como coadjuvantes, à la Jim Broadbent (eu acho os dois muito parecidos, tinha que mencionar de alguma forma). O Visitante não é um ótimo filme, mas é uma boa obra. Completa. Está tudo ali. Redenção, amizade, amor, recomeço... Lições que são aprendidas ora naturalmente, ora forçada. O grande mérito do filme vai, naturalmente, para Jenkins, em uma performance sensível, calma e comovente. E ainda assim, consegue mostrar a complexidade do seu personagem.

Quarta-feira, 20 de Maio de 2009

star trek: viagem extraordinária

Jornada nas Estrelas foi um verdadeiro ícone televisisivo e um fenômeno mundial, tendo fãs tão ou mais fieis que George Lucas com seu Star Wars; em suma, filmar um novo filme baseado na série, enfretando membros xiitas e ainda tendo que fazer algo para agradar a todos, fãs ou não, é o maior desafio que um diretor pode ter. Para isso, contratou-se J. J. Abrams, o criador da série Lost, roteirista de Armageddon e diretor do Missão: Impossível 3.

Se por um lado a inteligência de Lost e a habilidade da direção de Missão: Impossível 3 ainda contem pontos a favor, a artificialidade do péssimo roteiro de Armageddon é constrangedora. Por que confiar uma missão para J. J. Abrams? O que ele tem de diferente do que outro profissional ligado ao cinema - todos têm uma carreira com pontos baixos e altos. O que difere ele de qualquer outra pessoa? Nada. Porém, J. J Abrams é J. J. Abrams, isso já basta.

Primeiro, Abrams teve que reconhecer que não dá para fazer um Jornada nas Estrelas de antigamente, ele tem que inovar, fazer uma mudança radical em tudo. Porém, sem esquecer da mitologia da série, e conseguiu. Ele conseguiu filmar uma produção não só para os fãs, mas para qualquer leigo que, assim como eu, jamais havia visto um episódio da série antes de ir ao cinema.

E nunca eu fiquei com tanta vontade de assistir a uma série antiga como estou agora, e isso não se deve apenas a Abrams, mas como o maravilhoso elenco exibir um carisma invejáve, encarnando seus personagens com tanta irreverência que a curiosidade para ver se eles foram ou não fieis a composição é invevitável. Chris Pine e Zachary Quinto atuam em cada cena como se tivessem nascido para interpretar Kirk e Spock. Ainda sobra para o elenco secundário dar um show à parte: Karl Urban jamais esteve tão dedicado a um papel; Simon Pegg é, sem dúvidas, um dos mais talentosos comediantes que a Inglaterra exportou; Zoe Saldana está linda como Uhura; John Cho entrega Sulu um dos caras mais legais de Star Trek; e, por fim, Anton Yelch diverte como Pavel Chevok.

No entanto, os fãs vão poder sentir nostalgia ao encontrar Leonard Nimoy como o Spock do futuro. E é nessa maravilhosa ponta do ator que podemos sentir o coração e a alma do longa de Abrams. Não é um recomeço da série, apesar de mostrar todos os principais personagens no início da jornada e de como se conheceram; e também não é um filme repleto de nostalgia - aliás, o que Abrams fez de melhor foi evitar referências atrás de referências. É um projeto do diretor, uma homenagem dele mesmo ao que representou Star Trek em suas décadas douradas. De fã para fã. De leigo para leigo. Star Trek é mais uma fantástica produção que eu tive a oportunidade de assistir no cinema.

Nada de Império contra República. Ou até mesmo de balas com curvas. Nem mesmo de super-heróis. É a tripulação da Enterprise e eles estão vindo, mais rápido do que nunca. Quem diria que eu finalmente me arriscaria a ver Jornada nas Estrelas, depois de tantos anos evitando-a? Talvez a intenção do longa de Abrams seja exatamente essa: inspirar as pessoas. Nada de violência a cada cinco minutos, naves explodindo a cada dez, é simplesmente trabalhar direitinho uma história e construindo personagens. J. J. conseguiu de novo.

P.S.: Detalhe para a fabulosa direção de arte, oe empolgantes efeitos visuais e a ótima - como de praxe - trilha-sonora de Michael Giacchino.

Star Trek
2009
Direção: J. J. Abrams. Roteiro Adaptado: Alex Kurtzman e Roberto Oci. Elenco: Chris Pine, Zachary Quinto, Leonard Nimoy, Eric Bana, Bruce Greenwood, Karl Urban, Zoe Saldana, John Cho, Anton Yelchin, Simon Pegg, Wynona Ryder, Ben Cross, Chris Hemsworth e Jennifer Morrison.